A Matter of Life And Death

Sempre que o IRON MAIDEN anuncia um novo álbum de estúdio eu me pego em uma enorme ansiedade, uma situação emocional que sempre me sufoca em qualquer coisa relacionada ao Iron Maiden. Que despertou nesse que vos escreve o gosto musical. Me lembro muito claramente, quando ainda tinha entre oito e doze anos de idade, do meu pai ouvindo “Iron Maiden” e “Killers”, e também um pouco de “The Number of the Beast”.
Eis que mais uma vez, todo esse cenário se repete e a banda solta o álbum “A Matter of Life and Death”, e como vinha acontecendo, o título e duração das faixas demonstravam um disco como o muito bom “Brave New World”- 2000 e o mediano “Dance of Death” – 2003. Apesar da coisa do fã ainda manter a ansiedade em alta, de certa forma não me esperava qualquer surpresa. Mas eis que anunciaram a arte da capa, aí sim a ansiedade falou alto!

O desenho, apesar de não ser mais uma obra-de-arte assinada pelo Derek Riggs, que afinal nem ele mesmo anda fazendo os excelentes trabalhos de outrora, cumpre muito bem o papel de passar o que é o álbum: Melhor que tudo feito pela banda após “Seventh Son Of a Seventh Son” de 1998. Em tempo: Ainda não me decidi se o acho superior ao “The X Factor” de 1995.

A faixa de abertura, “Different World” apesar de ser ligeiramente diferente das faixas de abertura que a banda vem fazendo não agrada muito, mas longe de ser um fiasco. A letra é boa, mas o refrão é estranho.

A situação melhora um pouco com “These Colours Don’t Run”, que possui uma boa letra e um riff interessante. Eu adoro riffs “cortados”, como em “Montségur” do álbum anterior. Não sei se conseguem entender o que quero dizer com “riffs cortados”. Caso alguém tenha algum termo técnico conhecido…. por favor.

Agora sim: “A Brighter Than a Thousand Suns” tem apesar um ponto negativo, aliás, nem tão negativo: O vocal de Bruce Dickinson parece estar um pouco fora das frases criadas para as guitarras, fica meio desconexo. Mas a faixa no geral é uma paulada e tem de tudo que se espera do Iron Maiden atual.

“The Pilgrim”- Única faixa que vai direto ao ponto e não possui qualquer parte lenta. O riff inicial é muitíssimo pegajoso, facilmente me pego assoviando por aí. Possui alguns riffs egípsios como a Powerslave. Nicko trabalhou muito bem aplicando um prato china no contra-tempo do refrão. Excelente.

“The Longest Day”- Seguindo a linha de guerra que fez sucesso com “Paschendale” no álbum anterior, o Iron Maiden demonstra facilidade em musicar guerras. A faixa possui um clima intenso: É praticamente como assistir um filme de guerra! No “miolo” onde entram os solos há um riff pesadíssimo, som de primeiríssima. O timbre das guitarras nessa parte me lembrou muito o “Piece of Mind”- 1983. Nada poderia me deixar mais saudoso. Excelente faixa.

“Out of Shadows”- Baladinha. Pessoas “normais” gostam, fiz o teste recentemente um dia desses indo para o almoço: Coloquei a mulherada no carro e gostaram da música. Eu fico indiferente, é como Wasting Love. Reconheço a musicalidade, a boa letra. Mas não é algo que vou procurar ouvir quando finalmente cansar de ouvir o álbum todos os dias.

“The Reincarnation of Benjamim Breeg”- Possui a velha fórmula da introdução lenta do Steve Harris. Isso atrapalha quem prefere o som mais direto, mas acho que lendo a letra fica fácil pegar a idéia. Afinal parece que Harris e Dave Murray queriam passar esse clima realmente. O riff principal é excelente, diferente dos demais criados no álbum e em toda discografia. Boa faixa!

“For the Greater Good of God” – Steve Harris finalmente decide fazer um refrão de qualidade, que mesmo se repetindo oito vezes, não fica chato como em “No More Lies” do “Dance of Death” – 2003. O maior destaque, novamente, é a parte onde estão os solos. Nicko fez um trabalho diferente de tudo até então, utilizando contra-tempo e muito os tons da batera. Dave Murray faz o melhor solo dele no álbum.

“Lord of Light”- Sensacional. O refrão é maravilhoso e variações de tempo. O tema é bastante interessante também. Procurem ler a letra.

“The Legacy”- O grande clássico do álbum. Nessa faixa o Iron Maiden experimentou de forma convicente sua influência progressiva, principalmente Genesis. Aqui temos um novo riff matador para a parte de solos, realmente empolgante com guitarras e baixo sincronizados. A faixa é tão diversa que me lembrou desde “Prodigal Son”, do álbum “Killers” de 81, como também “Phantom of the Opera”, do “Iron Maiden” de 80. Um grande clássico.

Em linhas gerais, o álbum surpreendeu ao mesmo tempo que não deixa as características da banda de lado, afinal nem poderia ser diferente. Iron Maiden já sabemos o que podemos esperar, e mesmo que alguns não concordem, não importa: Quem ainda é fã da Donzela de Ferro sempre fica satisfeito com o resultado.

Entre os músicos, destaco:

Steve Harris que tocou como nos tempos de ouro e ainda teve o som do baixo renovado na mixagem, ficando muito presente. E também pela faixa composta apenas por ele, já que voltou a acertar a mão.

Nicko Mc Brain: Acho que não sinto a bateria tão positivamente desde que ouvi o “Piece of Mind” pela primeira vez.

Dave Murray: Aqui um destaque negativo: Davey foi único que não apresentou alguma mudança ou contribuiu de forma perceptível no álbum. Apesar de “The Reincarnation of …” ter créditos a ele. Os solos continuam repetidos e o único destaque nesse campo foi em “For the Greater Good of God”.

Para os interessados o álbum está a venda no Submarino, e além do site de vendas on-line foi primeiro lugar geral em vendas na semana passada em toda a Europa, alcançando o primeiro lugar em vários países. Uma demonstração de força da banda inglesa.

IRON MAIDEN – A Matter of Life and Death

01. Different World – Smith/Harris – 4.17
02. These Colours Don’t Run – Smith/Harris/Dickinson – 6.52
03. Brighter Than a Thousand Suns – Smith/Harris/Dickinson – 8.44
04. The Pilgrim – Gers/Harris – 5.07
05. The Longest Day – Smith/Harris/Dickinson – 7.48
06. Out Of the Shadows – Dickinson/Harris 5.36
07. The Reincarnation of Benjamin Breeg – Murray/Harris – 7.21
08. For The Greater Good of God – Harris – 9.24
09. Lord Of Light – Smith/Harris/Dickinson – 7.23
10. The Legacy – Gers/Harris – 9.20