Mercedes Classe X

A Mercedes-Benz lançará em breve uma picape no mercado nacional, o utilitário já circula em caráter experimental no Brasil há algum tempo. A picape “Classe X” do fabricante alemão é a estreia da marca no segmento de picapes.

A Mercedes-Benz é mundialmente conhecida não só por seus automóveis de luxo, mas também por seus furgões, caminhões pequenos, pesados e extra-pesados, sendo assim, é de certa forma até surpreendente que não houvesse uma opção de picape ostentando a estrela de três pontas na grade frontal.

O problema, porém, é que a “MB” não apresenta ao mercado um produto desenvolvido por ela de fato. “Classe X” é quase toda ela uma picape Nissan Frontier com uma decoração Mercedes Benz interna e externa, os motores serão exclusivos.

A Nissan Frontier, que empresta toda arquitetura básica ao futuro lançamento Mercedes, também compartilha sua plataforma básica e também motores à Renault Alaskan, os três modelos deverão ser fabricados na fábrica da Nissan na Argentina.

Nissan e Renault formam um grupo empresarial desde 1999, e já fazem prática similar em veículos menores desde então. Mais recentemente a Mitsubishi também foi incorporada ao grupo franco-japonês.

A chamada engenharia de emblema não é novidade na indústria automotiva, o Chevette, por exemplo, foi lançado no Brasil em 1973 como Chevrolet, sendo muito similar ao Opel Kadett de geração C na Europa, naquele tempo, a Opel e Chevrolet pertenciam ao grupo General Motors.

Por mais que o projeto seja ajustado pela marca alemã, a busca incessante pela redução de custos de produção, que inclui o compartilhamento de plataformas e motores, demonstra alguns aspectos do mercado automotivo.

Tecnologicamente, talvez, a engenharia automobilística já tenha alcançado um nível de desenvolvimento que não justifique a necessidade de desenvolvimento exclusivo, as tecnologias estão cada vez mais acessíveis e o custo de desenvolvimento hoje é menor e mais rápido que no passado.

Por outro lado, o consumidor também parece não mais perceber as nuances de cada fabricante, ainda que sejam cada vez mais difíceis mesmo de identificar, e dessa maneira deixa de ser relevante o fato de você possuir um Mercedes ou um Nissan­-Renault do ponto de vista dinâmico.

Dessa maneira, resta o status de cada marca, que pesa a favor da Mercedes Benz na comparação direta com as picapes que lhe cedem plataforma. Pessoalmente, não sei se é bom ou ruim, mas tenho certeza que é estranho.