Controle da mídia por excesso ou escassez

Falar sobre a forma que as opiniões políticas no Brasil estão polarizadas talvez não tragam novidade, mas algo está me chamando cada vez mais atenção: a maneira com a qual o trabalho da imprensa é criticado.

Lembro muito bem dos tempos de Lula e Dilma, onde diversos amigos que são petistas criticavam em frequência um pouco maior a Globo e a Folha de São Paulo. Segundo estes meus amigos, todos faziam parte de um esquema para manchar o trabalho e a honra dos políticos alinhados ao partido, e ainda uma sigla para estes veículos todos foi cunhada: PIG (Partido da Imprensa Golpista).

Passado o impeachment de Dilma Rousseff e a eleição pós Michel Temer de Jair Bolsonaro, agora é a vez daqueles que outrora comemoravam cada novo movimento da “Operação Lava-Jato” ligados diariamente no Jornal Nacional ou acompanhando o portal da Folha, sem esquecer dos mais tradicionais assinantes da Veja, se revoltassem contra este mesmos veículos.

É bastante curioso observar esta mudança, ao que parece, a verdade é que o brasileiro realmente gosta de cultuar figuras políticas, ou ter seu político de estimação, como dizem alguns – polarizados que são, cada um atacando com o mesmo adjetivo seu militante do outro lado do certame.

Bolsonaro vai cortar o dinheiro da Globo

Muitos dos que são mais ligados em Bolsonaro vem comemorando a cada nova bravata do presidente contra a Rede Globo, que a empresa vai falir: serão outros tempos, o PT pagou milhões à Rede Globo pelo apoio de vários anos – isso eu nunca vou entender.

Mas, qual é a diferença prática entre colocar dinheiro público em uma empresa ou asfixiá-la com o corte de toda a renda de publicidade? A mim soa a mesma atitude em direções opostas, e nenhuma é saudável em um ambiente democrático.

Um exemplo de imparcialidade

Enquanto todos os grandes meios de comunicação noticiaram a ameaça do presidente Bolsonaro a um repórter que o perguntou sobre depósitos de Queiroz em conta da primeira dama Michelle Bolsonaro, o portal R7, controlado pelo grupo Record, conhecido por pertencer ao Bispo Edir Macedo, não deu qualquer notícia sobre o evento.